quinta-feira, 10 de março de 2011

DesGeração (Geração do desinteresse, desleixo e desmotivação)

Hoje em dia, é muito vulgar ouvir-se falar em Desenvolvimento Sustentável, e cada vez mais empresas começam a ter em conta e a investir mais recursos na sua sustentabilidade. Como se sabe, esta atitude sustentável é algo crucial para a nossa economia, visto tratar-se de rentabilizar e racionalizar ao máximo os recursos disponíveis tendo em conta as gerações futuras. Até aqui, tudo bem, no entanto há que dar relevo e importância a uma abordagem diferente: Estarão as gerações futuras, os jovens de hoje, preparadas para assumir tal compromisso? Cada vez mais se parece tornar evidente que a atitude dos jovens, perante este enorme fardo, é de puro desleixo.
Claro que há sempre excepções à regra, e é de louvar e enaltecer quem consegue ter iniciativas e uma atitude de empenho na nossa sociedade actual. Mas a larga maioria dos estudantes encontram-se sem ambição e com uma atitude de desinteresse pela escola, ponto ao qual se devia prestar bastante atenção, pois quer se queira quer não, um dia os cargos das empresas serão ocupados pelos jovens, a geração futura.  
Algo que é cada vez mais notório, é a diminuição de “Self-made men”, pois a ambição estruturada (entendendo-se por “ambição estruturada”, o desejo de alcançar o sucesso) e empenho vão diminuindo cada vez mais. Um dos grandes factores que acaba por influenciar este decréscimo, é o crescimento abrupto dos estímulos exteriores ao indivíduo que acabam por desviar o estudante do seu objectivo. A sua influência cresce a um ritmo bastante superior do que a influência exercida pelo sistema escolar. O lazer tem vindo a aumentar e a captar cada vez mais a atenção dos jovens, enquanto que as escolas mantêm-se praticamente inertes em relação à sua capacidade adaptativa face aos novos desenvolvimentos da sociedade. Hoje em dia deveria ser esperado da escola um dinamismo estrutural capaz de oferecer e readaptar continuamente, ferramentas conteúdos informativos e estímulos que sejam suficientemente fortes para contrariar essa forte tendência de desinteresse e desaproveitamento escolar, apresentado por grande parte dos alunos pré-universitários.
Pode-se muito facilmente constatar que os resultados, especialmente nas escolas públicas, tendem cada vez mais a tornarem-se medianos no ensino secundário. É claro que isto não é causado por uma diminuição no Quociente de Inteligência das novas gerações. Estes resultados têm diversas razões, como o facto de cada vez mais a camada juvenil querer atingir um determinado estatuto social e com isso, deixar a escola em segundo plano, pondo em primeiro a aquisição de comportamentos ou elementos que pertençam ao grupo de referência.
Resumindo, estamos perante um problema cada vez mais preocupante, porque numa sociedade em que conta cada vez mais a formação do indivíduo, é crucial que os jovens tenham direito, usufruam e se sintam ligados a uma educação capaz de os ajudar a superar os maiores desafios da sua geração.
Já vimos que o interesse pelo mundo escolar tem vindo a decrescer em Portugal, por isso nós sugeríamos que desse-mos um salto ao Sistema Educativo Anglo-Saxónico que, embora não seja do nosso total entendimento, mostra-se como um ponto de interesse para muitos jovens em Inglaterra e Estados Unidos, especialmente nos pólos Universitários, onde na sua escola têm oportunidade para poderem desenvolver gostos e paixões paralelas ao ensino, ou onde mesmo algumas escolas retiraram certas disciplinas menos “atraentes” e adequadas à realidade actual na área de ciências socioeconómicas, como Filosofia, e as substituíram por outras, como por exemplo Humanidades, que despertam muito maior interesse aos alunos e os motivam a ir em busca de conhecimentos mais globais e actuais, e que sensibilizam os alunos para factores essenciais no desenvolvimento sustentável da nossa economia e sociedade.
Com isto queremos mostrar, que tem de haver uma proporcionalidade no que toca ao desenvolvimento da sociedade em conjunto com a Educação, ou seja, actualmente há inúmeras formas de lazer, nas quais os jovens se dispersam e que acabam por captar na totalidade da sua atenção, e no que toca à Educação (à excepção de algumas medidas, como a atribuição de bolsas, benefícios sociais e alguns programas), não tem tido capacidade de acompanhar o lazer. Daí podermos afirmar que o Ministério da Educação devia urgentemente elaborar um conjunto de reformas e medidas para captarem a atenção dos jovens de volta ao ensino. Para tal, poder-se-ia por exemplo elaborar questionários aos estudantes nas diversas áreas e, para além de se tentar averiguar as actividades e programas que os jovens gostariam de ter nas escolas, também ver que disciplinas têm menos adeptos e se fazem mesmo falta à educação do indivíduo, e tentar talvez substitui-la por uma mais atractiva.
Com isto, pretendemos alertar a sociedade portuguesa para que se volte a despertar o interesse dos jovens, achando que isso só é possível através de uma reformulação profunda do sistema educativo português. Que permitirá a passagem de uma sociedade juvenil motivada e movida pelo lazer, para uma em que a escola esteja em primeiro plano. Escola essa, que deverá ser a “segunda casa” dos jovens e deve ter todas as condições para que eles se interessem pela sua educação. Claro que esta teoria é um pouco utópica, pois o Estado teria que despender alguns recursos neste projecto. No entanto, se a nossa sociedade está a caminhar para a Sustentabilidade e para a preocupação com as gerações futuras, cabe ao Estado também partilhar este interesse pelos jovens e apoiar este investimento que melhorará o futuro de muitos.
Caros Leitores,

Este Blog foi criado por nós, dois jovens estudantes, e tem como finalidade expressar as nossas mais sinceras opiniões e críticas, que consideramos construtivas na medida em que iremos apresentar sugestões para fazer face aos problemas que debateremos. Pedimos desde já  as nossas desculpas por qualquer opinião que seja de alguma forma incorrecta ou que vá contra a vossa opinião ou experiência pessoal.
Esperamos que os nossos pensamentos e convicções sejam do vosso agrado e vos sejam úteis para algo.

Até ao próximo post!